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domingo, 18 de julho de 2010

O poeta que queria ser árvore


"Essa fusão com a natureza tirava minha liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada mas vou copiar de mim quatro desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os"impossíveis verossímeis"do nosso mestre Aristóteles.
Dou quatro exemplos:
1) É nos loucos que grassam luarais;
2) Eu queria crescer pra passarinho;
3) Sapo é um pedaço de chão que pula;
4) Poesia é a infância da língua.
Sei que os meus desenhos verbais nada significam.
Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidade."

Manoel de Barros in "Poesia Completa"

2 comentários:

VALVESTA disse...

Pelo que entendo os loucos como nós sim gralha pra lua, também que outra palavra definiria sua beleza; ora crescer pra passarinho, é ser pequenino e beijar como beija-flor, sugando o necta do amado na ansia de o saciar-lhe o coração;
e o sapo? esse pula romanticamente, embalando os sonhos de encontrar nos pulitos, aquele príncipe que ainda sonhamos, mas que sabemos, comporta-se como sapo, pula e sai do nosso alcance, percebe como somos lunáticas? beijo lunares em teu coração.

Valéria Gomes disse...

Bom demais!!!

Beijos no coração!!!