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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

o bem e o mal

Distinguindo o bom do mau

Um padeiro queria conhecer Uways e este foi à padaria disfarçado de mendigo. Pegou um pão, começou a comê-lo: o padeiro espancou-o e atirou-o na rua.
- Louco! - disse um discípulo que chegava - Não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
Arrependido, o padeiro foi até a rua e perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
O padeiro levou-os até um excelente restaurante e pediu os pratos mais caros.

- Assim distinguimos o homem bom do homem mau - disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este padeiro é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome.
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Perdão

Foi perguntado a um Santo Sufi o que é perdão. 
Ele disse: 
- É a fragrância que sai das flores quando são esmagadas.
- Jallaludim Rumi

domingo, 23 de outubro de 2011

Os sons da floresta


No século III d.C., um rei mandou seu filho, o príncipe T'ai, ir estudar no templo com o grande mestre Pan Ku. O objetivo era preparar o Príncipe, que iria suceder ao pai no trono, para ser um grande Administrador. Quando o Príncipe chegou ao templo, o Mestre logo o mandou, sozinho, à floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever os sons da floresta.

Passando o prazo, o Príncipe retornou e o Mestre lhe pediu para descrever os sons de tudo aquilo que tinha conseguido ouvir.

"Mestre", disse o Príncipe, "pude ouvir o canto dos pássaros, o roçar das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo suavemente na grama, o zumbido das abelhas e o barulho do vento cortando os céus".

Quando o príncipe terminou, o Mestre mandou-o de volta à floresta para ouvir tudo o mais que fosse possível. O Príncipe ficou intrigado com a ordem do Mestre. Ele já não tinha distinguido cada som da floresta ?

Por longos dias e noites o Príncipe se sentou sozinho na floresta, ouvindo, ouvindo. Mas não conseguiu distinguir nada de novo além daqueles sons já mencionados ao Mestre. Então, certa manhã, sentado entre as árvores da floresta, começou a discernir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. " Esses devem ser os sons que o Mestre queria que eu ouvisse", pensou. Sem pressa, o Príncipe passou horas ali, ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter a certeza de que estava no caminho certo.

Quando o Príncipe retornou ao templo, o Mestre lhe perguntou o que mais ele tinha conseguido ouvir. "Mestre", respondeu reverentemente o Príncipe, "quando prestei mais atenção, pude ouvir o inaudível; o som das flores se abrindo, do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã". O Mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação. "Ouvir o inaudível é ter a disciplina necessária para se tornar um grande Administrador. Apenas quando aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, os medos não confessados e as queixas silenciosas e reprimidas, um Administrador pode inspirar confiança a seus comandados, entender o que está errado e atender às reais necessidades dos liderados. A morte de uma empresa começa quando os líderes ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem mergulhar a fundo na alma das pessoas para ouvir seus sentimentos, desejos e opiniões reais".
Para refletir:
É preciso ouvir as pessoas, o lado não mensurado, o inaudível, mas que tem valor, pois é o lado mais importante do ser humano.


domingo, 27 de março de 2011

ambição ou verdade?

Para refletir:


NASRUDIN E O JUIZ

Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin: - Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria? - O dinheiro, é claro - respondeu Nasrudin, sem pestanejar. - O quê! - disse o juiz. Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre! - Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! - respondeu tranquilamente o mestre Nasrudin.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

a humildade


O mulá Nasrudin era a atração da feira principal da cidade. Quando se dirigia até ali para pedir esmolas, as pessoas costumavam lhe mostrar uma moeda grande e uma pequena. Nasrudin sempre escolhia a pequena.
Um senhor generoso, cansado de ver as pessoas rirem dele, disse-lhe:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado um idiota.
- O senhor tem razão, mas se eu sempre escolher a maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. Dessa maneira, não poderei mais ganhar meu sustento. Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente.


Para refletir:


" Sempre receba aquele que o procura, e não corra atrás de quem o rejeita. Desta maneira, você estará criando um laço de harmonia com o seu semelhante. Quando vemos alguém muito ansioso para mostrar como é bom e compreensivo, precisamos testá-lo com severidade. Porque ele busca aplauso para seus gestos, e pode ter perdido completamente a humildade." do livro histórias sufis

"O tolo revela todo o seu pensamento, mas o sábio o guarda até o fim." Prov 29,11

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fazem parte do nosso jardim



Uma história sufi:
Nádia passou o outono inteiro semeando e preparando seu jardim. As flores se abriram na primavera e Nadia reparou alguns dentes-de-leão, que não havia plantado.
Nadia arrancou-os, mas o pólen já estava espalhado, e outros tornaram a crescer. Procurando um veneno que atingisse apenas a erva, foi informado que poderia matar as outras flores.
Desesperado, pediu ajuda a um jardineiro.
- É igual ao casamento, junto com coisas boas, terminam sempre vindo algumas poucas inconveniências.
- O que faço?
- Nada. Mesmo sendo flores que você não planejou ter, fazem parte do jardim.

Essa história me faz lembrar da parábola do trigo e do joio contada por Jesus.
Um homem semeou a boa semente no seu campo, mas dormindo veio o inimigo e semeou o joio no meio do trigo.
Quando a erva cresceu e frutificou apareceu também o joio. Seus servos disseram-lhe: " Senhor, não semeaste tu no campo a boa semente? Por que tem, então, joio?"
Ele respondeu que um inimigo fez aquilo, mas os servos insistiram que deveriam arrancá-lo.
O dono do campo porém disse-lhes: "Não, para que ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa, aí direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar, mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro."
...........
O que é joio? Uma planta herbácea semelhante ao trigo no período da folhagem, mas diferente ao dar flores e frutos. Na espiga do trigo, os grãos são alourados, enquanto os do joio são embaçados.
Quanto ao dente-de-leão, é tida como uma erva daninha, uma planta invasora de hortas e jardins e que se desfaz ao toque do vento por ser muito sensível.
A mensagem é clara em ambas histórias: um elemento estranho se infiltrou no campo da boa semente. Só o percebemos quando o mal já está visível e temos que saber conviver com ele até o momento da ceifa, sem admirá-lo, sem aplaudi-lo e muito menos imitá-lo. Temos de conviver, muitas vezes, com pessoas falsas e sinceras, justas e injustas, sensíveis insensíveis, é inevitável. Sementes daninhas podem contaminar e arruinar nossa vida, nossos relacionamentos. No entanto, devemos aprender com o jardineiro e o dono do campo a cultivar o dom da sabedoria.
....
Para refletir:
"Obstáculos são aquilo que você enxerga quando tira os olhos de seus objetivos."



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sabedoria







Nasrudin, o mestre louco da tradição sufi, passa diante de uma gruta, vê um iogue em plena meditação e pergunta o que ele está buscando.

- Contemplo os animais, e aprendi deles muitas lições que podem transformar a vida de um homem - diz o iogue.

Ensine-me o que sabe. E eu ensinarei o que aprendi, pois um peixe já salvou minha vida - respondeu Nasrudin.

O iogue espanta-se: só um santo pode ter a vida salva por um peixe. E resolve ensinar tudo o que sabe. Quando termina, diz a Nasrudin:

- Agora que já lhe ensinei tudo, ficaria orgulhoso de saber como um peixe salvou sua vida.

- É simples. Eu estava quase morrendo de fome quando o pesquei, e graças a ele pude sobreviver três dias.

MORAL DA HISTÓRIA: " O sábio permanece calado até o momento ( oportuno), mas o leviano e imprudente não espera a ocasião. Aquele que se expande em palavras, prejudica-se a si mesmo..." ( Eclo,20)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O amor ao próximo




Como purificamos o mundo? - perguntou um discípulo.
Ibn al-Husayn respondeu:
- Havia um sheik em Damasco chamado Abu Musa al-Qumasi. Todos o honravam por causa de sua sabedoria, mas ninguém sabia se era um homem bom.
Certa tarde, um defeito de construção fez com que desabasse a casa onde vivia com sua mulher. Os vizinhos, desesperados, começaram a cavar as ruínas. Em dado momento, conseguiram localizar a esposa do sheik.
Ela disse:
- Deixem-me. Salvem primeiro o meu marido, que estava sentado mais ou menos ali.
Os vizinhos removeram os destroços no lugar indicado e encontraram o sheik. Este disse:
- Deixem-me. Salvem primeiro a minha mulher, que estava deitada mais ou menos ali.
São atitudes assim que demonstram como purificar o mundo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais uma história sufi.







A sabedoria


Um velho aproximou-se do grupo reunido em torno de Al-yajihi e ficou escutando o que o sábio ensinava.


No final, comentou com um dos discípulos:


-Eis um homem que tem a sabedoria de Deus. A tarde de hoje ficará marcada para sempre em meu coração.


Animado, o discípulo foi contar para o mestre. Al-yajihi, porém, não deu importância às palavras do velho:


-Toma sempre cuidado com os elogios rápidos. Quem, na primeira tarde, é capaz de ver qualidades que não tens, também rapidamente descobre defeitos que nunca possuíste.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A vaidade




Adoro histórias sufistas pela delicadeza e sabedoria que trazem, por isso postarei sempre algumas delas aqui neste espaço.
Um mestre chamado Nasrudin apareceu certa vez na corte de um grande rei com um magnífico turbante pedindo dinheiro para fazer caridade.
-Você veio me pedir dinheiro e está usando um ornamento muito caro na cabeça.Quanto custou essa peça extraordinária? - perguntou o soberano.
- Quinhentas moedas de ouro - respondeu o sábio sufi.
O ministro sussurrou:
- É mentira. Nenhum turbante custa essa fortuna.
Nasrudin insistiu:
- Não vim aqui só para pedir, vim também para negociar. Paguei tanto dinheiro pelo turbante porque sabia que, em todo o mundo, apenas um soberano seria capaz de comprá-lo por 600 moedas, para que eu pudesse dar o lucro aos pobres.
O sultão, muito lisonjeado, pagou o que Nasrudin pedia. Na saída, o sábio comentou com o ministro:
- Você pode conhecer muito bem o valor de um turbante, mas sou eu quem conhece até onde a vaidade pode levar um homem.