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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Manuel Bandeira, uma paixão brasileira

Manuel Bandeira é o grande homenageado da 7º FLIP ( Festa Literária Internacional de Paraty ) que está acontecendo entre os dias 1º e 5 de julho de 2009.

É preciso conhecer um pouco da vida do homem que se tornou o grande poeta brasileiro.

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife no dia 19 de abril de 1886.

Sua infância é um dos temas abordados nas suas obras. Iniciou seus estudos na terra natal

e mais tarde ingressou no curso de Engenharia, na Escola Politécnica de São Paulo, mas teve que abandonar seus estudos em virtude de uma doença pulmonar. Foi mandado para Teresópolis, Maranguape, Uruquê e até para Suíça, lugares de clima propício para tratar a doença.

Na Suíça travou contatos com muitos intelectuais, tornando-se homem de grande cultura.

Além de poeta foi professor, crítico, historiador e tradutor e cronista. Nessa época surgiu o poeta dos versos humildes e das coisas singelas.

Revelou-se grande no Modernismo, mas não quis participar da Semana de Arte Moderna, nem assim deixou de causar impacto com seu poema " Os sapos".


O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: -" Meu cancioneiro

É bem martelado.


Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos."



Seus versos, com o ritmo do coaxar dos sapos satirizava os parnasianos que se prendiam à métrica e à rima.

Nos eu poema " Vou-me embora prá Pasárgada, aqui eu não sou feliz, lá a existência é uma aventura...", a poesia espelha decepção e um desejo de fugir à realidade em busca de uma vida feliz.

Meu primeiro encontro com Bandeira foi através do poema " Porquinho-da-índia".


Quando eu tinha seis anos

ganhei um porquinho-da-índia.

Que dor de coração me dava

Porque o bichinho só queria estar

[debaixo do fogão!

Levava ele pra sala

Pra os lugares mais bonitos,

[mais limpinhos,

ele não gostava:

queria era estar debaixo do fogão.

Não fazia caso nenhum

[ das minhas ternurinhas...

O meu porquinho-da-índia foi a

[minha primeira namorada.


A simplicidade destes versos canta a descoberta do amor, o fascínio do menino pelo porquinho-da-índia como seu brinquedo favorito. Um amor sufocante que faz o bichinho fugir das mãos insistentes e calorosas. Que lição de amor nesses versos!

Em " Poema tirado de uma notícia de jornal" ele concilia a condição humana com a crítica social.


João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia

[num barraco sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


É um verdadeiro artesão da poesia, reúne tristeza e ironia, angústia e humor.

Atravessando todas as fases do Modernismo, Bandeira em prosa ou verso nunca será esquecido.

Continua em nossa memória e temos muito a aprender com ele ainda!

2 comentários:

Andréa Amaral disse...

Gosto do teor tbm didático do blog.Eu andei falando sobre mitologia grega e história em algumas datas comemorativas no meu.às vezes sou quase apenas didática; em outras misturo o ser com a informação.Escrevi um texto sobre Santo Antonio que acho que vc vai gostar, no indagações.Depois se tiver tempo...Um beijo.Você é um sucesso de mulher!

Fernanda disse...

achei todas as suas fotos o máximo