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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O ferrageiro de Carmona


Um ferrageiro de Carmona,
que me informava de um balcão:
"Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez, não a mão.
Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro
então, corpo a corpo com ele,
domo-o, dobro-o, até o onde quero.
O ferro fundido é sem luta
é só derramá-lo na forma.
Não há nele a queda de braço
e o cara a cara de uma forja.
Existe a grande diferença
do ferro forjado ao fundido:
é uma distância tão enorme
que não pode medir-se a gritos.
Conhece a Giralda, em Sevilha?
De certo subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
dos quatro jarros das esquinas?
Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de forma,
moldadas pelas das campinas.
Dou-lhe aqui humilde receita,
Ao senhor que dizem ser poeta:
O ferro não deve fundir-se
nem deve a voz ter diarréia.
Forjar: domar o ferro à força,
Não até uma flor já sabida,
Mas ao que pode até ser flor
Se flor parece a quem o diga.

(João Cabral de Melo Netto)


Às vezes, quero ser rosa flor, natural, viçosa, de carne e osso simplesmente... mas me sinto apenas uma flor de metal que pode ser forjada ou fundida, como queiram, sem o meu sim.

7 comentários:

Zil Mar disse...

Oi querida...passando pra matar a saudades...

Lindo demais o poema....mas gostei mais do q vc escreveu embaixo.....me encontro naquelas palavras...

bjos amiga e bom feriado...obrigada pelo carinho de sempre!

Zil

PS:tem dois selos pra vc no meu blog.

Luís Coelho disse...

Um poema muito bonito e também serve para meditar.
Nós temos de dobrar e martelar muitas vezes as capas de ferro para conseguirmos transformá-las em rosas de beleza encantadora.
Assim as nossas vidas se possam transformar em belos jardins.

José disse...

Piedade!
Fundido ou forjado, ele tem que ser moldado,se não for o ferro, é a forma, da flor, ou do que for,também eu tenho que moldar o tempo para poder seguir em frante.

beijinho.

Flor de Lótus disse...

Olá piedade!Nossa que poema lindo, nós precisamos nos moldar, nos deixar mudar, não podemos ser sempre os mesmos é preciso ter jogo de cintura é preciso se adaptar as novcas circunstÂncias que a vida nos oferece.
Um ótimo findi!
Beijos

Isa mar disse...

Muito interessante esse poema,gostei!
Beijos e linda noite pra ti!

PRECIOSA disse...

Lindo poema!
Tão belo quanto todos que escreves
És uma poetisa nata, Parabéns

Tenhas um final de semana regada de muito amor

Preciosa Maria

AC disse...

Um enorme prazer descobrir este blog.
Por aquilo que vi e li, para seguir com carinho.

beijo :)