Seguidores

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O poeta fingidor

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
...
Queriam-me casado,fútil,quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto,o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa,fazia-lhes, a todos,a vontade

Multipliquei-me,para me sentir,
Para me sentir,precisei sentir tudo,
Transbordei,não fiz senão extravasar-me
Despi-me,entreguei-me,

Para ser grande,sê inteiro:nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.


Fernando Pessoa,para você que se multiplicou, reinventou e recriou,fragmentou-se por inteiro, minha sincera e simples homenagem na abertura dessa página.

2 comentários:

João Aguilar disse...

Lindo esse poema, parabéns pela sensibilidade.
João
www.luzdkwanyin.blogspot.com

piedadevieira disse...

Lindo sim.Fernando Pessoa é tudo isso e muito mais ainda.Com ele nossa sensibilidade flui e transborda emoções.