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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sonhe alto


"Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante... acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi pra perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Onde quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno... coisas pequenas teremos.
Mas se desejarmos fortemente o melhore, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura!"
Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

primaveril

"Lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos;
e a eufórbia se vai tornando pulquérrima,
em cada coroa vermelha que desdobra.
E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isso para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento,
- por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade."
Cecília Meireles

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

pérolas


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a gloria e a virtude.
Ricardo Reis

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

pequeno sonho

"Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho."
Adélia Prado

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Para os meus cinquenta anos


Para os meus cinquenta anos

Tenho que dizer-lhes uma coisa
agora que vocês partiram para além das montanhas
deixando-me para trás com os meus sessenta e setenta, sem esperança de
que retornem.
Ei, vocês, que pareciam pontuar o fim da vida, quem jamais poderia
imaginar que vocês queimariam
com tanta lubricidade assim? finalizei em vocês
um ou dois assuntos pendentes há tempos. Vocês foram um tempo de plenitude
e devastação. Meu casamento havia terminado.
Em vocês eu me vi buscando uma saída que não fosse ao encontro da
não-existência.
Eu pensei:"tudo acabou". Vocês gritaram: "Estamos aqui!"
Vocês pareciam viajar até mim num fluxo, por conta própria, sem guia
ou horários de trens.
Como a flor da idade, eu os perdi. Vocês pareciam uma imperfeição
feita de perfeições
desconhecidas entre si. Como isso podia acontecer? eu pensava.
Ou o que deveria significar, exatamente, ter cinquenta e sete anos?
Eu queria me sentir tomado pelo desejo a todo instante.
Agora vocês me parecem jovens demais para mim.
E, com vocês, como das outras vezes,
eu pensei que um ano duraria para sempre.
"Fizemos o melhor possível. Resistimos dez anos completos.
Agora somos responsáveis pela década de outra pessoa
e não temos tempo para falar com você, o que é uma pena,
já que não poderemos mais voltar." Meus cinquenta anos! Responda-me
apenas uma coisa!
Vocês foram o esplendor ou não mais que mais uma década?
"Nenhum e os dois" .Expliquem-se! "Não
há tempo. Adeus!"
Kenneth Koch
*****
Esse maravilhoso poema aborda, de maneira maravilhosa,uma conversa ao pé do ouvido, entre o poeta e seus cinquenta anos.
Uma reflexão para quem já chegou lá ou para quem está prestes a chegar, por que não?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

dúvidas



Ou isto ou aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meireles

domingo, 25 de setembro de 2011

Nos cinquenta anos




Quarto em desordem




Na curva perigosa dos cinqüenta


derrapei neste amor. Que dor! que pétala


sensível e secreta me atormenta


e me provoca à síntese da flor



que não sabe como é feita: amor


na quinta-essência da palavra, e mudo


de natural silêncio já não cabe


em tanto gesto de colher e amar




a nuvem que de ambígua se dilui


nesse objeto mais vago do que nuvem


e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo


verdade tão final, sede tão vária


a esse cavalo solto pela cama


a passear o peito de quem ama.



Carlos Drummond de Andrade