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segunda-feira, 23 de julho de 2018

uma pedra

Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?...
 De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho.
Drummond

terça-feira, 17 de julho de 2018

felicidade



Que a felicidade não dependa do tempo,
 nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro.
 Que ela possa vir com toda simplicidade,
 de dentro para fora, de cada um para todos."
(Carlos Drummond de Andrade)


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

sempre Drummond

Pelos seus 110 anos,  meu caro Drummond:

Mas a poesia desse momento
inunda minha vida inteira.
Drummond

domingo, 14 de outubro de 2012

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

dia de D




As muitas faces do grande poeta.

******
A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Uma flor nasceu na rua!

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

E soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sonhe alto


"Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais importante... acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi pra perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Onde quer chegar?
Ir alto?
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno... coisas pequenas teremos.
Mas se desejarmos fortemente o melhore, principalmente, lutarmos pelo melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura!"
Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de setembro de 2011

Nos cinquenta anos




Quarto em desordem




Na curva perigosa dos cinqüenta


derrapei neste amor. Que dor! que pétala


sensível e secreta me atormenta


e me provoca à síntese da flor



que não sabe como é feita: amor


na quinta-essência da palavra, e mudo


de natural silêncio já não cabe


em tanto gesto de colher e amar




a nuvem que de ambígua se dilui


nesse objeto mais vago do que nuvem


e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo


verdade tão final, sede tão vária


a esse cavalo solto pela cama


a passear o peito de quem ama.



Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 23 de junho de 2011

arca de surpresa

Não há que desesperar do homem.
Temos ainda - arca de surpresa - os meninos,
e é proibido antecipar a sorte.
Degustam bem-aventuradamente um naco de melancia,
acomodam-se numa caixa de biscoito, aderem ao carnaval.
Seus olhos profundo indagam: - que fazes por mim?
Não sabemos responder - os meninos continuam,
esperança de todos os dias, e promessa de humanidade.
Drummond

********

Ah, meu amado poeta, como sabia das coisas!
Os meninos, nossos meninos estão sendo perseguidos,
maltratados,
injustiçados,
largados,
despreparados,
usados.
Famintos
de comida,
de família,
de amor.
E nós, o que estamos realmente
fazendo por eles?...

terça-feira, 21 de junho de 2011

A chave



E de repente
o resumo de tudo é uma chave.
A chave de uma porta que não abre
para o interior desabitado
no solo que inexiste,
mas a chave existe.

A porta principal, esta é que abre
sem fechadura e gesto.
Abre para o imenso.
Vai-me empurrando e revelando
o que não sei de mim e está nos Outros.

e aperto, aperto-a, e de apertá-la,
ela se entranha em mim. Corre nas veias.
É dentro em nós que as coisas são,
ferro em brasa - o ferro de uma chave.
Carlos Drummond de Andrade


*****

às vezes sou chave...

outras, sou porta...

domingo, 31 de outubro de 2010

Essas ficarão...





Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

*****

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


******



Para encerrar esse mês de outubro, nada melhor do que terminar com essa homenagem ao nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade que completaria 108 anos nesse dia 31.


Que você seja sempre lembrado por todos nós amantes da poesia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009