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terça-feira, 24 de novembro de 2009

A mentira




A mentira tem pernas curtas
diz o ditado popular.
Minha mãe já me dizia:
filha, mentira não vá contar
diga sempre a verdade
em qualquer tempo e lugar.


Contou-me então sobre um caso
de que sempre ouvira falar.
Havia um certo pastor
que a mentira quis pregar
mandou que todos os ouvintes

estudassem previamente
o capítulo dezessete de S. Marcos.


Conforme o combinado, no dia seguinte
pediu a todos que leram que ficassem de pé
segundo a sua recomendação.
Levantou-se a assembleia numa só afirmação
demonstrando muita fé e comunhão.
O pastor então sabiamente
deu início ao seu sermão:


Filhos amados, minha pregação
veio bem a calhar para vocês
porque o evangelho de São Marcos
vai até o dezesseis.
(pv)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Travessia




Peguei uma canoa
para atravessar o rio
fui buscar a felicidade
que mora do outro lado.
Vou pegar um barco
para atravessar o mar
vou buscar um amor
que deixei do lado de lá.
Pegarei um navio
atravessarei oceanos
buscarei os meus sonhos
qua ainda estão por sonhar.
Nas travessias que faço
sigo firme o meu passo
-disso tenho certeza-
a cada linha que traço
não saio do compasso
pois tenho Deus como guia.
(pv)

domingo, 22 de novembro de 2009

A princesa que não sabia sorrir






Era uma vez um lugar muito distante, mas muito distante mesmo. Ficava pra cima das montanhas, bem perto do horizonte e por isso mesmo se chamava Horizonte Azul. Lá vivia uma princesinha muito bonita chamada Carolina, mas muito, muito triste. Ela era assim: rosto meio oval, olhos verdes e profundos, pele branquinha...branquinha, cabelos longos e macios, boca carnuda e rosada, mas não sorria nunca.


Todas as pessoas daquele lugar viviam muito alegres e já tinham feito de tudo para vê-la sorrir. Da janela do seu castelo, Carolina via as crianças brincarem em volta das casa, via os casais passearem de mãos dadas na pracinha e via também que ninguém brigava nem ficava de mau humor. Também ouvia o som de suas músicas alegres que fazia todos cantarem e dançarem, mas ela ficava triste... cada vez mais triste.


Lá em Horizonte Azul havia muitas flores pelos caminhos, muitos pássaros e árvores bem coloridas, de modo que todos que por ali passavam sentiam uma alegria no ar e eram felizes para sempre, só Carolina não via e nunca sorria.


Um dia, chegou naquele lugar um jovem muito formoso e esperto que percebeu a tristeza da menina e se apaixonou por ela. Resolveu ir até o palácio e conversar com ela. Quem sabe contando todas as suas histórias, falando do seu imenso amor ela não se sentiria mais feliz? Assim fez.


O jovem falou do amor, cantou muitos versos, disse-lhe também de um lugar maravilhoso, onde todos viviam em união ajudando uns aos outros, do valor da oração na família e do agradecimento a Deus por todas as coisas recebidas. Falou das flores que se abriam a cada manhã, dos pássaros que voavam livremente e cantavam lindas melodias. Falou de tantas e tantas coisas fascinantes e com tamanha simplicidade que Carolina sentiu vontade de ir até lá. Mas o jovem lhe disse que ela teria de ir sozinha, ele estaria por perto e lhe deixaria um anel como prova de seu amor e de comprometimento. Todas às vezes que sentisse a sua falta ou precisasse de ajuda bastava tocar no anel levemente e ele voltaria. E assim foi.
A princesinha desceu do seu palácio e chegou lá embaixo onde nunca tinha estado e viu que as coisas eram bem diferentes do seu mundo As pessoas eram alegres e educadas, mas estavam sempre ocupadas nas suas tarefas, não se preocupavam com coisas fúteis nem perdiam tempo, que era precioso, com bobagens. Carolina andou, andou, olhou,olhou e se cansou. Sentiu fome, e para comer tinha que fazer o pão como as outras mulheres. Sentiu sede, mas teria de ir à fonte pegar água. Sentiu sono, mas teve que fazer a sua própria cama. Então, não gostou de ficar ali, quis voltar para a sua janela. Sentiu medo e sentiu-se só. Lembrou-se do anel, ao tocá-lo, imediatamente vieram a sua mente as coisas lindas que o rapaz lhe dissera. Como num passe de mágica, retomou forças e continuou a procurar pelo mundo encantado.
Algum tempo depois já mostrava sinais de cansaço, seus pés sangravam, suas roupas pesavam, tudo lhe incomodava. O tempo passava mais depressa ainda, olhou para o anel, segurou-o e novas lembranças vieram lhe dar ânimo. Ele estava ali a poucos passos tentando alegrá-la, parecia lhe dizer: " Olha, Carolina, um dia vai acabar..."
Num belo dia, Carolina se cansou e voltou para o palácio, de lá avistou um lugar mais longe, um lugar além do Horizonte Azul. Ali é que era, com certeza, o lugar ideal de que lhe falara o rapaz. Mas o tempo já havia passado e só Carolina não percebera. Seus cabelos já tinham embranquecido, suas mãos trêmulas não sentiam como antes. Ah! O anel! Ainda estava lá entre os dedos finos, quase a se perder. Tocou-o mais uma vez, e aquele príncipe surgiu a sua frente, e mais uma vez lhe mostrou as flores, os pássaros, as pessoas :"elas são reais, Carolina!" E contou-lhe mais histórias... e cantou mil versos ainda para lhe fazer sorrir, depois convidou-a para dançar.
Carolina, a princesa que não sorria, ouviu aquela música, olhou pela última vez aquele lugar ao longe, olhou para as flores que se abriam lá embaixo, viu a alegria que bailava no ar, espantou a tristeza dali, estendeu a mão para a alegria, saiu a dançar e ... sorriu...
Dizem que até hoje quem passa por aquelas bandas vê um semblante na janela mais alta daquele castelo com um leve sorriso nos lábios.
(piedadevieira)
MORAL DA HISTÓRIA:
Há pessoas que buscam pela felicidade nos lugares mais longínquos, enquanto ela se encontra bem embaixo dos seus pés.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Labirinto

As luzes se apagam, silêncio no quarto
pensamentos voam, em busca da paz.
Viro-me para a direita
viro à esquerda,
impossível fugir
das desventuras
das ansiedades...
Tantas paredes,
tantas descidas e subidas
nenhuma saída
estou confundida.
Procuro a vida,
os sonhos, os desejos,
não encontro nada
só bocas escancaradas
olhos que faiscam
monstros que atacam.
Não estou em Creta
não quero Teseu.
Fujo, luto, quero cair fora
quero ir embora
desse labirinto.
Ai! que o minotauro das trevas
quase me devora!
Entro no passado,
mas busco o futuro.
Há um vazio nas paredes frias
corredores escuros
quero derrubar os muros
encontrar meu herói.
Já estou sem forças, cansada
no chão, caída
ouço uma voz
finalmente a saída
vou para os braços de Morfeu.
(pv)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ando devagar






















"Ando devagar porque já tive pressa", mas levo comigo, sempre esse sorriso, porque já chorei bastante. Chorei, não somente derramando lágrimas, mas chorei por dentro, senti profundamente ao ver tantas injustiças, de passar por situações desagradáveis, de ver o ser humano se aproveitando das desgraças alheias, das invejas, do ódio e das humilhações. No meu canto, calada, observei como as pessoas agem, acredito eu às vezes até inconscientemente, ultrapassando os direitos de ir e vir sem medir consequências, apenas pelo bel-prazer ou para dizer para si mesmo e para os outros que é o melhor. Quanta ilusão, se a vida é para ser vivida da melhor maneira possível, cada um do seu jeito ou da sua maneira com a parte que lhe couber!Cabe a nós, sim, multiplicar ou dividir, somar ou diminuir de acordo com nossos dons, nossa criatividade, sem entrar no terreno do vizinho e furtar as laranjas do seu pomar porque são mais doces do que as nossas.
Ando devagar, sim, mas consigo chegar ao alvo. E meu alvo é muito simples: é ser feliz. E ser feliz é muito caro às vezes, nem sempre conseguimos pagar o preço de tamanha felicidade. No entanto, não é louvável usurpar dos outros ou invejar ao ponto de destruir. Costumo dizer que não podemos desistir facilmente dos nossos sonhos, mesmo quando são grandes as barreiras ou quando não acontecem no momento exato que esperamos. Um dia, com certeza, vão chegar e aí nossa felicidade será alcançada.
Ter pressa nem sempre é uma boa, já dizia minha mãe que o apressado come cru e nem espera a sobremesa. É uma atitude dos mais jovens que desejam mostrar vitalidade e terminar mais cedo para passar para próxima, mas não sai perfeito muitas das vezes, e há de se fazer de novo. É, eu também já fui apressadinha, hoje penso mais antes de fazer e se não der agora fica pra depois.
Agora, o sorriso é fundamental, não é preciso gargalhar, o que é bem gostoso, mas sorrir faz bem para a alma e principalmente para o corpo. O sorriso é a maquiagem perfeita para toda mulher. Nem precisa de batom, rímel ou cílios postiços, o sorriso formoseia o olhar e o espírito. A pele brilha, não há quem não observe e admire! Chama para ver. A beleza salta aos olhos, contagia.
Isso tudo para mim é ser feliz... então pra que correr?

sábado, 31 de outubro de 2009

No meio do caminho...




No meio do caminho tinha uma pedra...é um banco, e nele está sentado um poeta olhando a simplicidade do mundo que se movimenta à sua frente. Seus olhinhos miúdos, atentos a tudo,ainda conservam aquele quê de poesia e mistério. Seus pensamentos ainda trabalham procurando as palavras, sim,porque as palavras do poeta não morrem, se eternizam. Ele não luta com as palavras, lutar pra quê, se essa luta é vã e se elas brotam como relva fina e macia na mente do poeta? Brincar, sim, isso ele brinca e muito , ele joga com as palavras, cria novas, inventa e reinventa, enriquece-as e as torna mais belas do que já são.
Quando contemplo teu rosto
este amor a contragosto
fermenta de ácido mosto
e no meu rosto de couro
no meu cavername rouco
um dó de mim, um a-gosto
me punge, queima de agosto.
Tinha uma pedra no meio do caminho... mas essa pedra não impedia a passagem de ninguém, pelo contrário, todos que passam por ali admiram e lembram de suas poesias e com elas um pouco de suas vidas. Seus poemas falam de amor, de vida, de infância, de simplicidade pura.
Que pode uma criatura senão
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar,amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Tinha uma pedra... uma pedra no sapato incomoda, é preciso retirá-la. Mas essa pedra não incomoda, não preciso removê-la, basta sentar ao seu lado e sorver um pouco de sua magia , sua poesia. Há aqueles que não se contentam com pouco e levam um pedacinho para casa ou até os óculos do poeta. Que pena!
Casa entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
No meio do caminho tinha uma pedra... pare, contemple, deixe-a onde está. Cante parabéns para o poeta, hoje ele completaria 107 anos de simplicidade.
E agora, José?
a festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

colheita






COLHEITA


Tempo de colheita

lágrimas, sorriso e dor

espinhos do amor.

(pv)