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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O vencedor






Vale a pena assistir ao filme O Vencedor, que chega com várias indicações para o Oscar, principalmenta a de ator coadjuvante, muito bem interpretado por Cristian Bale, o filho preferido da mãe, uma velha questão familiar tão bem retratada na história, que desperdiçou sua grande chance de ser campeão por causa das drogas e transfere para o irmão a esperança de uma vitória.
O outro filho, no caso, o vencedor, é o herói que vai superar seus limites: de ser um fracassado, de estar sempre dependendo do irmão e guiado pela mãe que domina todos os negócios da família. Ao conhecer a namoradinha, as coisas começam a mudar na vida desse homem até chegar à vitória. Um grande filme.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

uma saída


A Solidão e sua Porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar,
(nem o torpor do sono que se espalha).
Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
Carlos Pena Filho
*****
Há muitas maneiras de amar, quando o amor trouxer dor e solidão.
Ame o que te sorrir na vida...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

travessia...



Há uma certa hora



Há uma certa hora
em que a casa é um navio
prestes a desatar-se do cais
da noite para o mar do dia.

É que amanhece. E as paredes
e objetos do quarto, os quadros
cadeiras e cortinas (paradas embora)
parecem ondear na enseada da sala.

Os corpos e lençóis se movem
como velas num lento ritual
e as pálpebras e os músculos
retomam a memória
ancorada na véspera.

Há uma certa hora
em que o dia iniciado
ainda não se inaugurou.
Tudo é possibilidade.
As notícias ainda não o mutilaram.
Tudo é um silêncio promissor.

É hora de entre espelhos
cremes e quimeras
escolher a roupa
com que vestir a manhã
hora de recolher o afeto enrodilhado
do cão na cama ou na poltrona
abrir o jornal e ver o sangue
da véspera e a esperança
nas entrelinhas das colunas
que sustentam
as perplexidades
de mais um dia.

Não se foi (ainda) ao escritório
ao mercado ao banco à escola.
O dia é um veículo estacionado
na garagem ou na esquina.
O terrorista não pôs (ainda)
em marcha a sua sanha
o traficante não repassou
a droga, e engatilhada
repousa(ainda)
a bala perdida.
A engrenagem da bolsa
-do pânico à euforia –
(ainda) não nos triturou.

O dia é um alvo
à espera do atirador.
Ainda não se teve
a tonteira o enfarto
o contrato não foi rompido
nada sabemos daquele telefonema
do recém-nascido do atropelado
da mulher que agora beija o marido
mas às quatro da tarde, feliz,
gozará com o amante
em completa doação.

Há uma hora em que o dia
ainda não se inaugurou
-momento absoluto
que antecede tudo.

De repente, a engrenagem
se movimenta o barco
se faz ao mar
desfaz-se a calmaria.

Só há duas alternativas:
- naufrágio ou travessia

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Não há vagas...


O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

Ferreira Gullar

******

Se o poeta pudesse colocar tudo no poema que está acontecendo nesse país, aí que ia feder mesmo...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A graça


A Graça

Desaba uma chuva de pedras, uma enxurrada de estátuas de ídolos caindo, manequins descoloridos, figuras vermelhas se desencarnando dos livros que encerram as ações dos humanos.
E o meu corpo espera sereno o fim deste acontecimento, mas a minha alma se debate porque o tempo rola, rola, rola.
Até que tu, impaciente, rebentas a grade do sacrário; e me estendes os braços: e posso atravessar contigo o mundo em pânico.
E o arco-de-deus se levanta sobre mim, criação transformada.
Adélia Prado

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Eu acredito


O utopista


Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo
.

Murilo Mendes
*******
Mas, eu não... e você?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

miragem



"Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado."


Caio de Fernando Abreu