Faço minhas as palavras da psicanalista Rosa Reis publicadas num artigo intitulado: "Por que nos omitimos?" muito a calhar nesse momento de tragédia.Ela inicia assim:
"Há muito tempo, diariamente, estamos sobrevivendo - algo bem diferente de viver.
(...)
De repente, como se acordássemos de um sonho, a realidade se impõe mais uma vez...
Só podemos falar em tragédia quando um fato acontece inesperadamente. Não podemos admitir como tragédia algo que vinha se anunciando. Por se anunciar, ela está nos dando a chance de evitá-la, clamando por ações.
Resta à sociedade chorar, culpar-se para aliviar a própria culpa, culpar e pedir indenização. Mas, o que vamos indenizar? Quanto vale os abraços que os filhos que ficaram órfãos deixaão de receber? Quanto vale o vazio deixado em uma família pela ausência de um filho que estava iniciando a vida ou uma carreira? Quanto vale uma vida interrompida abruptamente? E os sonhos não realizados? E as lembranças traumáticas? E a culpa que padecem os que sobreviveram?
O que constatamos é como estamos desamparados. A cada acidente, a cada falcatrua descoberta, aparecem pessoas que sabiam, relatórios que assinalavam, pessoas que se omitiam, ou que quiseram se beneficiar.
(...)
Estamos a todo momento experimentando a sensação de que algo muito ruim vai nos acontecer. Na verdade, tememos o que já aconteceu.
(...)
Elegemos líderes que não cumprem as promessas de campanha. Depois de eleitos, tornam-se privilegiados, recebendo mordomias, bons salários e aplausos, deixando de ver o cidadão que é submetido a todo tipo de desrespeito. Cidadão que luta para sobreviver...
Ao não investir e respeitar o cidadão, a nação perde sua grande chance, abrindo caminhos para sua própria destruição."
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Rosa escreveu tudo que sinto na minha alma e tenho vontade de gritar para o mundo.
Tenho dito.