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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A paz


"A paz jamais virá do equilíbrio de forças. Como profetizava Isaías há séulos, ela resultará, sim, da promoção da justiça, o que supõe desarmamento de espíritos e fim dos arsenais."

Frei Betto

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O oposto

"O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença.
O oposto da beleza não é a feiura, é a indiferença.
O oposto da fé não é a heresia, é a indiferença.
O oposto da vida não é a morte, mas a indiferença entre a vida e a morte."
Elie Wiesel
(sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel da Paz)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Que falta?

Epílogos

Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.


Gregório de Matos

domingo, 30 de janeiro de 2011

Nem tudo está perdido


Nem tudo está perdido...
Atrás da minha casa passa um rio e atrás dele há um morro, que desabou bastante nestas chuvas, mas não causou vítimas, graças a Deus.
Nesses dias de intempéries, daqui da janela, da casa onde estou, passei muito tempo olhando para esse morro, observando os cachorros que moram ali, ou, com desculpas, talvez, para vigiá-lo com medo de ele cair. E um fato me chamou muito a atenção: a atitude desses animais.
No dia seguinte da tragédia, um deles caiu na ribanceira, achei que ele procurava um dos seus filhotes pela sua insistência em olhar o barro e as árvores caídas. Ela tentava subir o morro, mas não conseguia. Foram várias tentativas, até que me distraí e a perdi de vista. Desapareceu.
No outro dia, aliviada, vi que ela estava com dois filhotinhos branquinhos novamente lá em cima, dei graças a Deus e continuei a olhá-los. Então, vi que eram três: dois branquinhos e um pretinho. Cheguei à conclusão de que ela estava apenas sondando o local. E, a cada dia, novas surpresas: já eram quatro filhotes.
Os grandes latiam muito diante do barulho das máquinas ou de outro animal que tentava invadir seu espaço. Desciam e subiam o morro ao sinal de um barulho novo, enquanto os pequeninos ficavam lá em cima olhando tudo, obedientes à espera de um gesto da mãe.
Com isso, fui me distraindo e vendo o carinho, a proteção da mãe com os seus.
Agora, eles já desciam a trilha, que os homens fizeram, atrás dos maiores. Latiam também, não queriam mais ficar para trás. Já vieram até à rua, olharam e deitaram no meio fio sem receio de nada.
A vida continua e o pedaço é deles ainda.
Que exemplo pude tirar!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Por que não?

Faço minhas as palavras da psicanalista Rosa Reis publicadas num artigo intitulado: "Por que nos omitimos?" muito a calhar nesse momento de tragédia.
Ela inicia assim:
"Há muito tempo, diariamente, estamos sobrevivendo - algo bem diferente de viver.
(...)
De repente, como se acordássemos de um sonho, a realidade se impõe mais uma vez...
Só podemos falar em tragédia quando um fato acontece inesperadamente. Não podemos admitir como tragédia algo que vinha se anunciando. Por se anunciar, ela está nos dando a chance de evitá-la, clamando por ações.
Resta à sociedade chorar, culpar-se para aliviar a própria culpa, culpar e pedir indenização. Mas, o que vamos indenizar? Quanto vale os abraços que os filhos que ficaram órfãos deixaão de receber? Quanto vale o vazio deixado em uma família pela ausência de um filho que estava iniciando a vida ou uma carreira? Quanto vale uma vida interrompida abruptamente? E os sonhos não realizados? E as lembranças traumáticas? E a culpa que padecem os que sobreviveram?
O que constatamos é como estamos desamparados. A cada acidente, a cada falcatrua descoberta, aparecem pessoas que sabiam, relatórios que assinalavam, pessoas que se omitiam, ou que quiseram se beneficiar.
(...)
Estamos a todo momento experimentando a sensação de que algo muito ruim vai nos acontecer. Na verdade, tememos o que já aconteceu.
(...)
Elegemos líderes que não cumprem as promessas de campanha. Depois de eleitos, tornam-se privilegiados, recebendo mordomias, bons salários e aplausos, deixando de ver o cidadão que é submetido a todo tipo de desrespeito. Cidadão que luta para sobreviver...
Ao não investir e respeitar o cidadão, a nação perde sua grande chance, abrindo caminhos para sua própria destruição."
****
Rosa escreveu tudo que sinto na minha alma e tenho vontade de gritar para o mundo.
Tenho dito.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O rio


Que rio é esse que avançou sobrenatural

sobre o meu rio calmo e dormente no seu leito?

Esse é outro, feroz, avassalador, chegou sem avisar

se apossou de suas entranhas

o violentou.

Veio se contorcendo

doendo

esbravejando

alagando

destruindo

possuindo.

Na escuridão, seu barulho ensurdecedor

apavora

traz dor

ignora o meu grito

meu pranto doído.

Ai, meu Deus!

O silêncio é mortal

conto os minutos, os segundos

a hora não passa.

Quero sair daqui

estou viva...

confusa...

Não sei

Não penso

Não sou

Confundo-me...

Estou rio...

(pv)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

GRATA

Agradecendo
agradecida
grata
dando glórias
esperançosa
confortada
confiante
firme
de pé
com fé
OBRIGADA