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sábado, 11 de setembro de 2010

Para refletir


"Tenha pena do olho que não vê no sol senão um aquecedor e uma tocha para esquentar e iluminar. É um olho cego, embora veja uma mosca a uma milha de distância. Tenha pena do ouvido que não ouve senão as notas musicais no canto do rouxinol. É um ouvido surdo, embora ouça o rastejo das formigas nos seus labirintos subterrâneos."


Gibran Khalil Gibran

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gullar


Vivo a pré-história de mim
por pouco pouco
eu era eu
José de Ribamar Ferreira Gullar
não deu
o Gullar que bastasse
não nasceu.


*****


Não preciso nem dizer o nome do autor, ele próprio já disse.
Descobri Gullar há bastante tempo, um dos maiores poetas de nossa literatura. Hoje, ele completa 80 anos, e é justíssima essa homenagem.
Transcrevo aqui com muito orgulho o primeiro poema que me seduziu. Exatamente, porque insinua um conflito: onde estou, para onde vou, quem sou eu, sou isso ou aquilo? Os nossos paradoxos, quem não os têm? Mas você, Gullar , tenha certeza de que é feito de muitas partes. Você é múltiplo.


Traduzir-se


Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo


Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão


Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira


Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente

Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem


Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?

Ferreira Gullar


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

É tempo de jabuticabas



O tempo e as jabuticabas
'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'

O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves
********
O tempo das jabuticabas me remete a um tempo que não volta mais. As jabuticabeiras pretinhas, pretinhas, e nós lá em cima dos seus últimos galhos querendo pegar as maiores, não nos satisfazíamos com as que estavam ao nosso alcance, aquela mais distante era a melhor.
Época do colegial, dos namoricos à distancia, da troca de olhares, do primeiro amor tão inocente!
Quero, agora, fazer como Rubem Alves, quero encher a bacia de jabuticabas, sentar à sombra de uma centenária árvore, colecionar amigos... gente humana, mas muito humana, contar bastante causos, rir com elas...e depois saborear todas as jabuticabas que chegarem às minhas mãos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Inexplicável


Em algum lugar desse universo

um poeta insiste em escrever seus versos

imerso em seus pensamentos.



Seduzido

Se esvaziando

Se entregando

Sangrando

Sua paixão.



Vai nascendo assim um poema

fórmula única

quase mentira...

quase verdade...

sem explicação.
(pv)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A cor do chapéu


Conta-se, que o demônio caminhava por uma trilha no meio de dois campos, onde lavradores colhiam uvas. Então, ele pensou:"vou semear a discórdia." Colocou um chapéu verde e amarelo e convidou-os a segui-lo para encontrar um tesouro. Depois, escondeu-se entre as árvores.

Os lavradores vieram para a estrada e os que estavam à direita do campo disseram:

- Vamos seguir o senhor de chapéu verde.

- Vocês estão querendo nos enganar, devemos seguir o senhor de chapéu amarelo. - disseram os homens do campo à esquerda.

Os lavradores esqueceram do tesouro e se mataram a golpe de foice para ver quem tinha razão sobre a cor do chapéu.



***

Podemos ser tentados e nos perder de alguma forma, como foi o caso desses homens da historinha. A tentação é universal e todos nós podemos passar por ela, mas é possível resistir e fugir, não ceder a ela. Se mantivermos nossos olhos voltados para Deus nossa vontade é fortalecida, procuramos o caminho do bem e, com certeza, a tentação fica enfraquecida.

Em Mc14,38, Jesus nos recomendou que vigiássemos e orássemos para não cairmos em tentação.

Martinho Lutero disse:

"Você não pode impedir que os pássaros voem sobre sua cabeça, mas pode impedir que eles façam ninhos em seus cabelos!"


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O sino da minha aldeia


O' sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

soa dentro da minha'alma.



E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem um som de repetida.



Por mais que me tanjas perto,

Quando passo, sempre errante,

E's para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.



A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.

(Fernando Pessoa)



****


A cada dia que passa, sinto também soar dentro da minha alma esse sino, o sino da saudade, o sino da minha aldeia, o sino da minha juventude. Grande mestre, que mexe com as nossas raízes!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Um instante gostoso

Recebi este selinho do blog recomeçar e estou repassando-o para os seguintes blogs:


http://www.valvesta.blogspot.com/

http://www.dolcealgodao.blogspot.com/

http://www.flordavida.blogspot.com/

http://www.acadainstante.blogspot.com/

http://www.algodaodoce.blogspot.com/

http://www.apenaspalavras.blogspot.com/

http://www.ciodalua.blogspot.com/

http://www.blogdajoaninha.blogspot.com/

http://www.cafecomleitepaocommanteiga.blogspot.com/



As regras desse selinho são: falar 9 coisas sobre nós e repassar para 9 blogs amigos, o que eu já fiz acima. Agora sobre mim, o que tenho a falar é que:


. Sou uma pessoa muito romântica.

. Adoro cinema, uma boa leitura e muita poesia.

. Sou leonina de temperamento forte, cuido do que é meu com muita garra.

. Sou casada há 36 anos com meu primeiro namorado.

. Moro em Nova Friburgo, cidade serrana do Rio de Janeiro, onde o friozinho é bem gostoso.

. Tenho uma filha formada em Direito, um filho fisioterapeuta e uma netinha maravilhosa...uma família abençoada por Deus.

. Sou formada em Letras com pós-graduação em Gestão escolar.

. Trabalhei 42 anos como professora de Português, minha paixão. Hoje, estou aposentada, mas um pouco decepcionada com a educação do nosso país.

. O que me deixa muito enfesada é ver a injustiça de mãos dadas com a corrupção.





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Um instante


"Aqui me tenho

Como não me conheço

nem me quis

Sem começo

nem fim
aqui me tenho

sem mim

nada lembro

nem sei

à luz presente

sou apenas um bicho

transparente"

****

Ferreira Gullar