Seguidores

quinta-feira, 16 de julho de 2009

As violetas ainda são azuis


As violetas ainda são as mesmas na janela. A casinha branca, de janelas azuis, desponta no final do caminho.

Mariana, todos os dias, chega à janela esperando o correio passar. Pontualmente, à tardinha, ele passa, mas não pára.

Filha do seu Joaquim, dono da melhor quitanda do lugar, aprendera a soletrar com o pai, ainda menina, as primeiras palavras que via na loja. Era muito esperta, inteligente, gostava de ler. Lia tudo que passava por ali: jornais, revistas, livros. Era o seu maior prazer.

Casou-se, bem novinha, com um moço elegante que chegou à região vendendo livros - sua paixão. Sabia falar tão bem que logo, logo a cativou. Namoraram, noivaram e bem depressa veio o casório. Foram morar na casinha branca, no final da rua, que pertencia ao seu pai.
Sua vida era amar o moço e ler os seus livros. Eram tantos! Quanta felicidade!
O tempo foi passando, até que um dia...triste dia aquele! O moço teve que ir à capital comprar mais livros. O estoque estava no fim.
Mariana arranjou outra paixão enquanto esperava - cultivar violetas. As cores, o perfume das flores, a singeleza das pétalas foram cativando a menina-mulher. Sentia-se protegida. Pensava menos...sofria menos.
Naquela tarde, ela escutou o carteiro gritar seu nome. Correu ao seu encontro rindo toda feliz.
Havia uma carta. Ali mesmo abriu e leu, devorando uma a uma , cada palavra escrita no papel.
Seu moço elegante, homem culto, sincero nas declarações de amor, não voltaria mais. Cansara da vida simples do campo. Arrumou uma nova esposa - a dona de uma livraria da cidade.
Para Mariana restaram as violetas azuis e os velhos livros lidos e relidos.

Amo as coisas simples







Singelas como seus olhos
encantam a vida
encantam meu coração.
(pv)




As violetas são azuis
































Nunca mais me esquecerei
desse filme a que assisti
há muito tempo atrás.
Trago sempre comigo
uma violeta azul.
A nostalgia , a simplicidade
e o amor estarão sempre presentes.
A história é a mesma
entre casais que se amam.
mas, há apenas entre eles
uma violeta azul.
(pv)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Quando

Quando assistia ao especial de Roberto Carlos, fiquei lembrando da minha adolescência naqueles anos dourados, na minha cidadezinha Cordeiro. Um música me veio à mente, pensei que já havia me esquecido dela, mas que nada, lá estava ela inteirinha na minha memória. Comecei então a cantarolar e lembrar-me do tempo que a cantava, principalmente no banheiro, tempo que estamos cheios de paixão. O amor transborda por tudo e aí começamos a cantar, recitar poemas,falar sozinhos sem saber porquê.
Quando amamos, o amor contagia tudo. Nossa casa fica diferente. Nem notamos a poeira dos móveis ou a jarra sem flores. Não importa. Nosso quarto é o melhor lugar, até as paredes nos entendem! Cantamos, falamos e elas só escutam. E ainda dizem por aí que paredes não têm ouvidos, o que elas não têm é boca. De brancas, muitas vezes ficam amarelas, de tanto ouvir nossos suspiros e choros. Grandes amigas! Na rua, nada tem importância. A buzina dos carros ou grito de crianças, o sol muito quente ou chuva que cai, nada,nada nos incomoda. Só pensamos no amor...no amado.
Quando o rei compôs essa música, era o ano de 1967 e o mundo assistia ao nascimento do tropicalismo, do movimento hippie e à morte de Guimarães Rosa e de Che Guevara. A guerra do Vietnã matava, mas o primeiro transplante do coração trazia esperança de vida. Ao lado de tantas realidades, Gabriel Garcia Márques publicava o seu realismo fantástico, Cem anos de Solidão.
Quando ouvia Roberto, a música que me chegava era "Quando".
"Quando você se separou de mimQuase que a minha vida teve fimSofri, chorei tanto que nem seiTudo que chorei por você, por você oh, oh, ohQuando você se separou de mimEu pensei que ia até morrer depois lutei tanto pra esquecerTudo que passei com você, com você, com vocêE mesmo assim ainda eu não vou dizer que já te esqueciSe alguém vier me perguntarNem mesmo sei que vou falarEu posso até dizer ninguém te amou o tanto quanto eu te ameiMas você não mereceuO amor que eu te dei oh, oh, ohQuando você se separou de mimQuase que minha vida teve fimAgora, eu nem quero lembrarQue um dia eu te amei e sofriE chorei eu te amei e chorei oh ooh ohE mesmo assim ainda eu não vou dizer que já te esqueciSe alguém vier me perguntarNem mesmo sei que vou falarEu posso até dizer ninguém te amou o tanto quanto eu te ameiMas você não mereceuO amor que eu te dei oh, oh, ohQuando você se separou de mimQuase que minha vida teve fimAgora, eu nem quero lembrarQue um dia eu te amei e sofriE chorei por você eu chorei por você eu chorei... eu sofri..."

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sou um barco

Sou como um barco à espera de alguém
Solitário às margens de um rio
Não estou vazio
Estou cheio de lembranças...
de poesia.
(pv)

Manuel Bandeira, uma paixão brasileira

Manuel Bandeira é o grande homenageado da 7º FLIP ( Festa Literária Internacional de Paraty ) que está acontecendo entre os dias 1º e 5 de julho de 2009.

É preciso conhecer um pouco da vida do homem que se tornou o grande poeta brasileiro.

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife no dia 19 de abril de 1886.

Sua infância é um dos temas abordados nas suas obras. Iniciou seus estudos na terra natal

e mais tarde ingressou no curso de Engenharia, na Escola Politécnica de São Paulo, mas teve que abandonar seus estudos em virtude de uma doença pulmonar. Foi mandado para Teresópolis, Maranguape, Uruquê e até para Suíça, lugares de clima propício para tratar a doença.

Na Suíça travou contatos com muitos intelectuais, tornando-se homem de grande cultura.

Além de poeta foi professor, crítico, historiador e tradutor e cronista. Nessa época surgiu o poeta dos versos humildes e das coisas singelas.

Revelou-se grande no Modernismo, mas não quis participar da Semana de Arte Moderna, nem assim deixou de causar impacto com seu poema " Os sapos".


O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: -" Meu cancioneiro

É bem martelado.


Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos."



Seus versos, com o ritmo do coaxar dos sapos satirizava os parnasianos que se prendiam à métrica e à rima.

Nos eu poema " Vou-me embora prá Pasárgada, aqui eu não sou feliz, lá a existência é uma aventura...", a poesia espelha decepção e um desejo de fugir à realidade em busca de uma vida feliz.

Meu primeiro encontro com Bandeira foi através do poema " Porquinho-da-índia".


Quando eu tinha seis anos

ganhei um porquinho-da-índia.

Que dor de coração me dava

Porque o bichinho só queria estar

[debaixo do fogão!

Levava ele pra sala

Pra os lugares mais bonitos,

[mais limpinhos,

ele não gostava:

queria era estar debaixo do fogão.

Não fazia caso nenhum

[ das minhas ternurinhas...

O meu porquinho-da-índia foi a

[minha primeira namorada.


A simplicidade destes versos canta a descoberta do amor, o fascínio do menino pelo porquinho-da-índia como seu brinquedo favorito. Um amor sufocante que faz o bichinho fugir das mãos insistentes e calorosas. Que lição de amor nesses versos!

Em " Poema tirado de uma notícia de jornal" ele concilia a condição humana com a crítica social.


João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia

[num barraco sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


É um verdadeiro artesão da poesia, reúne tristeza e ironia, angústia e humor.

Atravessando todas as fases do Modernismo, Bandeira em prosa ou verso nunca será esquecido.

Continua em nossa memória e temos muito a aprender com ele ainda!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

flores




Flores azuis,vermelhas ou amarelas
todas elas com seus matizes
todas elas com suas cores
surgem assim na minha vida
enchendo minha vida de
sonhos e amores.

(pv)